domingo, 18 de outubro de 2009

Não me venha dizer que é preciso fazer sentido. Você nunca vive para você. você vive para os outros. Não é pra fazer sentido mesmo. É simplesmente a crueldade de ter de amar algo do qual você não pode fugir. Ame o esquema, porque não existe saída, querida. São as coisas como são, e você não decide não fazer parte. Construa sua toca e erga a muralha, que o convívio é tenso e nada não muda. É melhor gostar, assim é mais fácil. Esqueça o sentido, ele mal importa. Não perceba nem por um segundo, que sua vida e nada são no fundo a mesma coisa, e você é somente e apenas tudo o que á sua volta o condena.

e me confundi com Bukowski

"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligavam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual.
Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."

Charles Bukowski




Sou eu essa citação.
Talvez nãoeu como sou,
somente eu como estou.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não gosto quando você vai embora, porque se me pego sozinha, penso que é coisa da minha cabeça. É muita imaginação, entende? Se você não aparece penso que é historinha minha, daquelas que eu crio toda noite antes do sono chegar. E mesmo quando está perto, eu pisco mais de dez vezes sem parar, só para ter certeza que estou acordada, porque meus sonhos têm mania de levantar da cama comigo. Algumas vezes rola um beliscão, um tapinha no rosto bem de leve pra aprimorar a certeza. E se é de noite todas as luzes são acesas, porque o escuro gosta de enganar, mas ainda assim o olho é sempre lente incerta. E aí eu rio dessas minhas bobagens, só pra me fazer parecer mais concreta. E penso trilhões de vezes no que fazer, porque se o assusto e você foge, sei lá como vou saber de verdade se não foi eu quem inventou você.
Deixa de ser certo que o medo um dia chega. Desiste das correções e das perfeições que tudo que é certo, falha uma hora. Escola certa, trabalho certo, e de fora está tudo impecável. Mas o certo não tem especialidade, e de uma hora para outra vira nada. A superfície nítida e clara da sua vida está exposta, mas é medo seu, e meu também. Tudo visto de fora é mais bonito. Você falhou, amigo. E nem dá pra recuperar a nota. Falhou a vida e não sobrou nada, nem o medo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Noite fria de outono, com direito a flores caídas pela calçada.
Piegas.
Um país europeu. Qualquer um que povoe sua imaginação e seja o cenário mais apropriado para um romance hollywoodiano bem clichê.
Você é jovem e saiu de casa por isso mesmo. É jovem, oras.
Sua vida estava feita. De verdade. Seu futuro, ele não teria como dar errado. Faculdade de Direito, faculdade federal, um dos primeiros lugares na seleção. Aluna exemplar desde o primário. Daí a alguns anos você se formaria com homenagens, passaria num concurso público, juíza ou promotora ou qualquer outro cargo. Exemplo pra família, orgulho pros pais.
Foi tudo muito rápido. Escola, amigos, histórias e “puff”, acabou. Dezoito anos, vinte anos. Você esperava que o medo fosse embora, mas percebeu que não.
Então arruma a mala, abraça o ursinho de pelúcia e vai embora. Vai embora porque não era pra ser assim, não pra você. Era para estar tudo certo, foi assim que seu pai disse.
Mas não, não é assim.
E aí você caminha pela noite. Sozinha no frio do outono, em uma cidade qualquer, em um país qualquer na Europa. O vento bate no seu rosto, e é bom estar sozinha. É bom sentir-se responsável por si mesma, como se todas as decisões dissessem respeito apenas á você e a ninguém mais.
Era assim que você queria se sentir em casa, mas sabe que não há jeito. Em casa te conhecem e esperam coisas de você. Ali não, ali é só você com você mesma.
Sem expectativas.
Pega uma mesa num café de esquina. Pede um chocolate quente para tentar aquecer as mãos e a alma. Se sente como uma daquelas jovens dos filmes e livros, sentadas em Cafés, geralmente em Paris, olhando a paisagem e escrevendo poesias, como se nada as preocupasse, nada as amedrontasse.
É quase difícil pensar. Você acredita que a resposta não vai vir assim.
Então você imagina que poderia viver como as garotas dos filmes e livros.
Viver das poesias escritas num Café, ou fotografias, como um retrato abstrato da vida.
Você pensa que poderia ser perfeitamente feliz assim. Vivendo das poesias e fotografias, de amantes europeus, de sonhos simples, cigarros e café.
Se coubesse somente á você, a vida seria simples como nos filmes. Seria tão fácil, você pensa. Se coubesse somente a mim.
Eu desenharia Paris, e Roma, e Londres e Amsterdã. Colecionaria fotografias, e homens e lembranças. Escreveria romances, venderia quadros. Respiraria a beleza, e a plenitude. Descobriria novos amores e mentalizaria poesias até memoriza-las. Poderia ouvir Debussy por todas as noites, fazer bonecos de neve e tomar sol nos parques.
E todas aquelas coisas. Todos os concursos, juízes e promotores, todos eles teriam inveja de você.
Porque você não queria casas com piscinas, roupas de grife, viagens vazias.
Você teria os Cafés, as tardes de sol e os bonecos de neve.
E eles continuariam a querer seus salários de vinte mil, trinta mil. Pra reformar a casa de novo e de novo e de novo. Pra dar á mulher um vestido novo, ao filho um computador.
Você riria na cara dos senhores barbudos e de terno. Com seus olhares rabugentos, orgulhosos de si mesmos. Ditos vencedores.
Você riria deles.
Porque você teria os poemas e Debussy.
Você teria as fotografias e os desenhos de Paris, Londres e Amsterdã.
E eles não teriam nada.


















Se coubesse somente a você.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Just Keel Breathing

Forget everything you used to dream about
Because none of them became real
Did you realize it?
Not your childhood ones
Not the grown up ones.
It’s sad to hear it
Destiny didn’t make much of you
You got nothing until now
And time keeps running
You’re empty inside
For how long?
You don’t even have a plan
The older you get
The harder it gets
No more time to pretend
You’re going to be someone
You’re out of faith
It’s about time
To realize life isn’t easy
Dreaming isn’t enough
You’re falling a huge fall.
You’re going to be hurt
For a long, long time
Then you’ll start
Trying to find other ways
To just keep breathing
And be ready for the day

domingo, 27 de setembro de 2009

I wanna get out

Eu não gosto de postar textos aqui que não são meus, porque na verdade essa merda aqui é uma conversa comigo mesma. Nunca pedi pra ninguém vir aqui e comentar, porque é quase íntimo. Porém é hipócrita também, porque o link pra esse blog está no meu orkut pra qualquer um entediado o bastante pra visitar. Na real o lance é esse, nao forçar ninguém a dizer nada, porque na maioria das vezes ninguém tem mesmo nada a dizer.

O fato é que revirando textos do meu McDreamy, Caio F, encontrei um trecho que é a sinopse pura do meu momento. Acho que nunca precisaria de uma psicólogo se por acaso eu conhecesse Caio F.

Vai aí o trecho pra mim mesma:

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parada atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."
- Caio F.